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Verdura


Um trio pesado no fim de semana: “Lolita” “De Olhos Bem Fechados” e “Último Tango em Paris”.

Uma ótima apresentação: The Shortwave Set

E um furúnculo.

  



Escrito por Amanda K. às 08h23
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Eu tinha, acho, que uns cinco anos, morava no sítio e ia todos os dias estudar em Cajazeiras. Numa dessas viagens me perguntaram de quem eu gostava mais se Madonna ou Michael Jackson, eu como criança nem sabia responder direito. A menina me induziu: Michael Jackson né! Madonna é muito escandalosa. Eu disse: é!?

Fiquei triste com a morte dele. Como devem estar hoje milhares de pessoas.

Quantas apresentações no Teatro Ica. Não dele, mas de todo mundo que imitava. Uma em particular começava com o barulho de um copo quebrando. Estilhaços de um tempo acabado.



Escrito por Amanda K. às 08h14
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Lá no meu pé de serra ai que saudades eu tenho. Quando chega junho eu fico mesmo mais melancólica que o normal. É São João e eu me lembro tanto do meu avô e de um tempo que a simplicidade me fechava no meio de fogueira, de chuvinhas, de milho... Eu não posso ouvir Luiz Gonzaga sem que uma lágrima queira cair. Ai ai que dor, as fulô do meu sertão... vendo as abeia beber mel. Meu avô sempre comprava todos os discos de Luiz e botava na radiola e eu me sentava com ele e me balançava até dormir. E vovó dizia que as músicas de hoje só falam de amor, isso há mais ou menos uns 18 anos. Eu e meu irmão brigávamos e mainha pegava o chinelo e a gente corria. E eu soltava traque nos pés dos meninos e ria ria ria. Eu caia e chorava. Nas férias eu ia para roça e tirava tomate com uma latinha que meu avô fez. Na escola Alberto me chamava de beradera e eu chorava de novo. Mas o pobre vê nas estradas o orvalho beijando a flor. Chorava porque fui morar na cidade. Eu chorei. Meu Deus se eu pudesse fazer o que manda o meu coração. Saudade que aperta que dói que maltrata. Mangaratiba eu achava que era um palavrão. Cheguei cheguei. O mar é belo lembra o seio de Ceci. Dezessete e setecentos. Bastava ele dizer respeita Januário e a gente se calava direitinho. No fim do ano vovó fazia peru com farofa e íamos todos pro Canindé. Ai ai que bom que bom que bom que é. Uma estrada e a lua branca. Uma gente andando a pé. Um casal de galo campina sempre sentava nos fios e cantava, cantava e mudava mesmo de cor. Molhava os pés no riacho. Que água fresca Nosso Senhor. E eu não posso usar havaianas sem lembrar os arames que ele botava pra remendar. Eu lembro. Quer queira quer não.



Escrito por Amanda K. às 09h11
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Às vezes você escuta o sorveteiro e quer muito sorvete, mas não tem coragem de levantar e contar moedas e descer a escada abrir o portão. Às vezes você sabe que seus amigos estão cada qual no seu canto e não tem coragem de pegar o telefone e procurar e ligar e falar. Às vezes você está numa festa e muita gente chega e você não tem vontade de levantar e deixar seu copo e ir cumprimentar e ir perguntar como vai como foi? Às vezes o banco está te roubando e você não agüenta fichas e filas de banco e sorriso falso de atendente de banco. Teu chefe vai chegar e vai te pedir muita coisa e você não está a fim de rir e dizer está tudo bem. Ok. Ok. Às vezes você quer ir praquele lugar onde nem pega telefone, nem pega carro nem pega formalidades, nem pega...



Escrito por Amanda K. às 08h46
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Bastante água fresca ou coisa assim. Dia 30 acordei no meio da noite e tava passando “Elas cantam Roberto” e foi justamente na hora que Nana Caymmi cantava lindamente não se esqueça de mim. Dia 03 fomos pro show de Roberto, não achei tão lindamente assim, eu quis me arrepiar mais, até pensei: mas achei Roberto tão mecânico, como uma paixão que você deseja tanto e de repente não é aquilo que se imaginou. Dia 07 eu voltava pra casa e numa das casas da rua estava havendo festa, só notei porque escutei Chico Buarque cantando “Passaredo” e fiquei tão feliz. Dificilmente se espera ouvir Passaredo em uma festa. E hoje pego uma seleção que Linaldo trouxe de Cajazeiras e escuto novamente Nana só que cantando “Bancarrota Blues”, confesso que essa não é uma das minhas músicas preferidas de Chico, mas com Nana arrepiou como eu nem esperava.



Escrito por Amanda K. às 08h33
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Fomos comprar presente pro dia dos namorados e fiquei pensando como é difícil ser gay. Tive que fingir que era pro meu namorado e foi engraçado. Aí no shopping você vê uns tipos que não se vê em todo canto. Não sei se isso é bom ou ruim.

To vendo muitos filmes. Muitos filmes de Almodóvar. E o que mais gosto são os travestis e Penélope Cruz, sem contar certa “frieza” com que os personagens tocam a vida.



Escrito por Amanda K. às 09h50
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Acordei tarde. Esse teclado ta comendo minhas letras. E lembrei dessa música.

 



Escrito por Amanda K. às 09h18
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To gostando muito do livro “O Matador”. O enredo é bem construído, o que tem me prendido. Um dos melhores que li ultimamente. É transgressor, mas tem uma história para contar. Se é que alguém me entende. Não é uma mera sequência de fatos. Creio que irá culminar em alguma coisa.

 

“Enquanto caminhava e olhava para os meus sapatos fodidos, eu pensava que a vida é uma coisa engraçada. Ela vai sozinha como um rio, se você deixar. Você também pode botar um cabresto, fazer da vida o seu cavalo. A gente faz da vida o que quer. Cada um escolhe a sua sina, cavalo ou rio”.

Patrícia Melo in O Matador



Escrito por Amanda K. às 07h57
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Quando eu to para leitura é assim: quero tudo ao mesmo tempo. Comecei “O matador” e hoje já reli um continho de Katherine Mansfield que adoro. Ontem quase compro um livro dela, minha velha compulsão. A CosacNaify estava com 40% de desconto e eu adoro as edições dessa editora, são perfeitas. Meu sonho de consumo é comprar a caixinha com Ana Karenina, que namoro faz tempo. Comprarei. E já que começou a chover de novo, vou transcrever um trechinho de “Felicidade”.

 

 

“Embora já tivesse trinta anos, Bertha Young ainda experimentava momentos como esse, quando gostaria de correr em vez de andar, sair dançando pela calçada, brincar, atirar alguma coisa para o ar e tornar a pegá-la ou ficar imóvel e rir – à toa – simplesmente à toa.

O que fazer, com trinta anos, ao virar a esquerda de sua própria rua, você é repentinamente tomada por um sentimento de felicidade – felicidade absoluta! – como se repentinamente tivesse engolido um pedaço brilhante daquele sol do entardecer e ele queimasse em seu peito, enviando uma chuvinha de faíscas para cada partícula, dos pés à cabeça?

Oh, será que não existe uma maneira de expressar isso sem passar por ‘bêbado e descontrolado’? Como é idiota a civilização! De que me serve um corpo se tenho que mantê-lo fechado numa caixa como um violino raro?”

 

Katherine Mansfield in Felicidade



Escrito por Amanda K. às 08h19
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Não sei se já contei. O primeiro livro que li eu tinha 4 anos e se chamava “Maricota sem Dona”. Fazia a alfabetização e a professora pediu pra gente escolher um livro e depois falar do que se tratava. Lembro como se fosse hoje. Era a história de uma boneca que não tinha dona, e estava abandonada num canto de uma loja de brinquedos. Maricota de tão triste decide sair em busca de alguém. Conhece várias crianças: a menina que tinha muitos brinquedos, outra que quebrava tudo... Até que finalmente ela conhece uma menininha pobre que era perfeita para ser sua dona. E assim foram felizes para sempre.

Ainda lembro as ilustrações do livro e do vestido vermelho com avental da boneca. Se um dia eu escrever uma história infantil, tem que ser assim: que esteja na memória mesmo depois de 20 anos.

 



Escrito por Amanda K. às 08h34
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I - Tá, não sou da sociedade defensora dos animais ou florestas, mas que fico danada quando alguém derruba uma árvore eu fico. Eu querendo uma no meu jardim imaginário e o outro destruindo.

II - Ontem, mesmo com a viagem corrida, visitei uma grande amiga. Tava tão cansada que cheguei cantando “eu quero uma casa no campo...”. Hoje, a primeira notícia é que Zé Rodrix morreu.

III - Fico pensando como minha cabeça estará quando chegar aos 40. Se meu baú velho já anda tão cheio de lembranças.

 

 



Escrito por Amanda K. às 08h34
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Musiquinha que está na cabeça

 

O clipe é melhor:

http://www.youtube.com/watch?v=xDlEXQaMBpk

 



Escrito por Amanda K. às 09h53
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Uma cadeira de balanço. Minha grande conquista no fim de semana.

Lendo uns blogs percebi que daqueles que eu lia há 3 anos atrás só restaram mensagens do tipo: “um dia voltarei” “chegou a hora de dizer adeus” “quem sabe outra hora”. Para o meu quero um epitáfio melhor. Ou nenhum. Simplesmente irei. Ou não.



Escrito por Amanda K. às 07h48
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Na sexta trabalho de manhã. Acordei com uma sensação meio zumbi. Não posso dormir pouco. Mas, não sei por que hoje tive mais paciência em pegar o circular lotado e ir antes da roleta encostada na porta. Mais paciência de escutar aquele monte de adolescente conversando um monte de futilidade. Mais paciência de observar que se as crianças são o futuro da humanidade, a gente não irá mesmo durar por muito tempo. E até fiquei imaginando como eu consegui sobreviver a essas duas fases. O tanto que me isolei e chorei, o tanto que fui nerd e medrosa. Deu também pra lembrar que os tempos eram outros: papel almaço escrito a mão com uma força danada, álbuns de figurinhas, papéis de carta, joelhos arrebentados, e inocência muita inocência.



Escrito por Amanda K. às 17h47
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Adio. Penso no almoço. Penso no banho. Penso no filme que quero ver. Penso. Penso. E não faço o artigo. O tempo se esgota. E ainda preciso de mais pressão. O que é isso?



Escrito por Amanda K. às 08h51
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Nós dois temos sorte. Estamos juntos. As coisas fluem e vamos sobrevivendo a tudo e a todos. Tem gente que diz que ele é Zé Carioca. Eu acho que somos um casal Zé Carioca. Nos bares contas pagas, caronas, convites, um trabalho ali outro acolá, fazendo com que a vida nos dê um bom sorriso.



Escrito por Amanda K. às 09h39
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Ficou como numa cena de cinema. Escuto a rua. Os carros, buzinas, o vento. Vou ao posto, compro cigarros. Acho que nunca tinha andado só nessa cidade, à noite, não essa hora.

Estou gostando muito do Cineport. Tem gente botando defeito a torta e a direita no festival. Para mim o espaço é bonito, os filmes estão legais na medida. Já marquei o que eu quero ver. Hoje assisti “Os desafinados”, gostoso de ver e ouvir, sonhador como a Bossa Nova. Não dá para não se arrepiar, e rir de vez em quando. Eu cheguei cedo e pensei que seria uma das poucas pessoas por ali. Mas quando deu a hora, se não fico na minha cadeira, não acharia outra pra sentar. Em plena segunda feira, espaço cheio de gente para o cinema. Muito bom.



Escrito por Amanda K. às 22h20
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“O medo anda por dentro do teu coração”

 

A tem medo de nunca poder fazer certas coisas.

I um quase medo de não ter dinheiro para beber

A’ tem medo de sair e não trair.

F medo de câmeras nos sinais

O cara do Crepe Suíço tem medo dos malucos.

A” quer o medo.

Eu? Medo que a chuva molhe meu vestido.

 

“Eu tenho medo e já aconteceu

Eu tenho medo e inda está por vir

Morre o meu medo e isto não é segredo”



Escrito por Amanda K. às 10h01
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Tem dias que realmente dá certo prazer deixar tudo espalhado na casa. A louça por lavar, roupa jogada na cama, a mesa cheia da não comida. O tempo só para preparar um macarrão e sair atrasada. O guarda-chuva quebrado. A chuva num tic tac lento. Amanhã o perfeccionismo irá reinar.



Escrito por Amanda K. às 13h00
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¿Piegas yo?

 

Não sei exatamente por onde começo. Se sai logo após o almoço de Jaguaribe até Manaíra para comprar "Vicky Cristina Barcelona". Não que tenha sido essa a primeira intenção. Nos dois ônibus que peguei um mesmo casal com um papo longo, muy largo. Ele negro com sotaque espanhol e ela loiríssima. Ele super altruísta dando conselhos o tempo todo para a moça que em algum momento, acho que quando passávamos pelo Busto de Tamandaré, disse “mas eu não sou bonita” e ele “ah sim você é muy bonita e inteligente por esto não tem porque ficar assim si!?”. E daí já imagino onde tudo deve estar parando nesse momento.

 

Depois vejo Penélope Cruz belíssima não? Antes mesmo encontrei um amigo muito querido e conversamos horas a fio. Ele me contou sobre seu mais novo namorado e o drama de vida da criatura. Pai, mãe, avós todos mortos, coisa sei lá pra quem ver. Café, aguá, bolo, e chuva muita chuva.

 

Finalmente em casa. Boto o filme. Amor não é coisa para ser pensada e dirá então da paixão. E que ninguém mesmo pode entender. Pelo menos eu, nunca talvez. Entende?

 

 

Dicen que la distancia es el olvido

Pero yo no concibo esa razón

Porque yo seguiré siendo el cautivo

De los caprichos de tu corazón.

 

La Barca (roberto cantoral)

 

 



Escrito por Amanda K. às 21h41
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Estranho. Pensei em Charlotte Gainsbourg, de repente começou a tocar no rádio. Sonhei com uma amiga, no outro dia a encontro na hora do almoço. Lembrei de uma colega do trabalho, quando desço do ônibus dou de cara com a mesma. Tudo em menos de 48 horas.



Escrito por Amanda K. às 10h06
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Essa é sempre uma hora estranha. Não sei explicar exatamente o que acontece. Tenho vontade de caminhar em direção ao Sol. Umas vezes com sensação de liberdade outras mais com uma tristeza infinita. Principalmente aqui quando estou dentro do apartamento fico meio sufocada. E chego mesmo a sentir saudade de morar em uma casa com mais espaço. Com um jardim e um terraço ao qual eu possa sentar numa cadeira de balanço e pensar nas melhoras coisas que ainda restam para acontecer.



Escrito por Amanda K. às 16h39
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Fazia tempo que não escutava um som tão legal aqui na Paraíba. Burro Morto é massa! Bem psicodélico. De preferência a noite.

 

 Burro Morto - Indica




Escrito por Amanda K. às 20h16
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Escrito por Amanda K. às 10h01
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Eu leio minha sorte. Tenho um jogo de cartas que um dia encontrei em uma revista feminina. São umas cartinhas pequenas que contém saberes indígenas, sei lá. Eu sempre tiro uma depois que leio a Bíblia. Também manjo essa se abrir uma página do livro sagrado aleatoriamente, principalmente quando eu não ando muito bem. Às vezes até que levanta meu ânimo, noutras não. Evito abrir no Apocalipse eu tenho medo de verdade do fim do mundo. Tenho medo também de ver santo, ou Jesus ou Maria. Taí uma coisa que eu tenho medo mesmo. Eu rezava pra não ver aquele clarão que o povo diz ter antes do santo aparecer. No fundo eu me consolava: não sou tão boa assim pra ter essa “virtude” não é Deus!? No entanto, acho que não sou tão ruim pra não conseguir o que eu quero, sou? Um pouco mais de paciência. Mas ta, to começando a pensar, acho que é por isso que um santo nunca apareceu pra mim.

 

E a sorte de hoje é: Uma pessoa precisa de uma boa reputação para sobreviver.

Disse o orkut!!



Escrito por Amanda K. às 08h43
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Sim sou antiga. O menino que passou entre as pernas da moça arregalou os olhos. E sei lá. Por coincidência um pedaço da papoula ainda restava preso entre os dentes. Ele quis se desfazer. Eu percebi. Mas disfarçar é uma velha arte. E nisso repeti – sou antiga. Não agüento certos barulhos. Quando certa névoa preenche canto a canto dos olhos visualizo as frestas da janela e mamãe chorando com medo do silêncio. Queria sair voando ladeira abaixo. Lembro exatamente os cinqüenta centímetros que costumava me distanciar do chão. A velocidade devia ser vinte quilômetros - o bastante para ninguém me alcançar.



Escrito por Amanda K. às 09h07
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Uma tradução made in internet

Blowin' In The Wind (tradução)

Bob Dylan

Soprando no vento



Quantas estradas precisará um homem andar
Antes que possam chamá-lo de um homem?
Sim e quantos mares precisará uma
pomba branca sobrevoar
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim e quantas vezes precisará
balas de canhão voar
Até serem para sempre abandonadas?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Quantos anos pode existir uma montanha
Antes que ela seja lavada pelo mar?
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça
E fingir que ele simplesmente não vê?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Quantas vezes precisará um homem olhar para cima
Até poder ver o céu?
Sim e quantos ouvidos precisará um homem ter
Até que ele possa ouvir o povo chorar?
Sim e quantas mortes custará até que ele saiba
Que gente demais já morreu?
A resposta meu amigo está soprando no vento
A resposta está soprando no vento



Escrito por Amanda K. às 08h45
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“Aí fui embora. O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: ‘Muito prazer em conhecê-lo’ para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo.” (p.89)

 

“No duro, fico um bocado feliz quando uma criança sabe ser simpática e educada na hora em que eu acabo de apertar os patins dela ou coisa parecida. A maioria das crianças é assim. É mesmo.” (p. 119)

 

J. D. Salinger in O Apanhador no Campo de Centeio



Escrito por Amanda K. às 17h27
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“Não ligue pra essas caras tristes fingindo que a gente não existe. Sentadas são tão engraçadas. Donas das suas salas. Quem tem um sonho não dança. Bete Balanço, por favor. Me avise quando for embora.” Bete Balanço - Cazuza

 

Ontem voltando do trabalho passando pela lagoa tive que descer do ônibus. Era a gravação do programa “Som na Rural”. Foi um ótimo fim de expediente. O programa vai ao ar dia 30.

 

E hoje viajo para Cajazeiras. Estou desejando um isolamento. Vovó, mãe, sítio, peixe, rede e um livro.

 

Sobre escrever coisas sérias se é que eu escrevia coisas sérias, não tenho previsão de volta. Não que eu tenha abandonado a literatura, apenas estou dando um time. Byke.



Escrito por Amanda K. às 09h43
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Ademir Assunção

 

E eu penso em quantas coisas ainda faltaram pra se dizer, em vidas que se buscam, em caminhos que precisam ser percorridos, e eu olho pela janela, percebo a noite chegando, vejo a caixa d’água do meu bairro, que parece um disco voador, dou de ombros ao alarido de vozes que chega lá de fora e continuo pensando: o que significa isso tudo?”



Escrito por Amanda K. às 18h25
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Eu ando invisível. No msn, no gmail, no trabalho. Tenho medo que em algum momento ao procurar por mim não encontre nada além que um simples vulto.



Escrito por Amanda K. às 20h27
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Não sei até que ponto minha boa percepção das coisas é favorável. Se no jogo vale mais ser cínico. Ter um sorriso de canto a canto das orelhas. Viver realmente é muito comprido.

 

 

Dos nossos males

(Quintana)

 

A nós bastem nossos próprios ais,

Que a ninguém sua cruz é pequenina.

Por pior que seja a situação da China,

Os nossos calos doem muito mais...



Escrito por Amanda K. às 09h07
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 Adiamento (Álvaro de Campos) 

 

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...  
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,  
E assim será possível; mas hoje não...  
Não, hoje nada; hoje não posso.  
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,  
O sono da minha vida real, intercalado,  
O cansaço antecipado e infinito,  
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...  
Esta espécie de alma...  
Só depois de amanhã...  
Hoje quero preparar-me,  
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...  
Ele é que é decisivo.  
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...  
Amanhã é o dia dos planos.  
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o rnundo;  
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...  
Tenho vontade de chorar,  
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...  
 
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.  
Só depois de amanhã...  
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.  
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...  
Depois de amanhã serei outro,  
A minha vida triunfar-se-á,  
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático  
Serão convocadas por um edital...  
Mas por um edital de amanhã...  
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...  
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?  
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,  
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...  
Antes, não...  
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.  
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.  
Só depois de amanhã...  
Tenho sono como o frio de um cão vadio.  
Tenho muito sono.  
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...  
Sim, talvez só depois de amanhã...  
 
O porvir...  
Sim, o porvir...


Escrito por Amanda K. às 08h14
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Hoje, a noite pede inúmeras vezes para Bob Dylan cantar Ballad of a thin man.

 



Escrito por Amanda K. às 20h44
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E o Verdura, amadureceu, parece. Tá entre os legais da semana!

 UOL



Escrito por Amanda K. às 07h37
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como larva nos olhos.

água que borbulha.

salta sem pedir licença.

***

 

Me lembrou o sítio. Os gatos. Acerola. O céu. São Francisco. A galinha. O rio. Santa Luzia. A foto. A terra. O mato. Flores.

 



Escrito por Amanda K. às 16h56
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James procurou. A garrafa passou bolsa a fundo, entortando a boca da menina que levava ao nariz, a mão. Álcool não. Prejuízo para os rascunhos ensopados e prontos para serem queimados com a faísca do cigarro.

 

***

 

Gosto tanto das coisas de Recife

 

 

 



Escrito por Amanda às 08h49
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Slowly walking down the hall…

 

Comendo iogurte com granola. Dizem que é bom para digestão. E para dias de espera, com certeza. Você olha para as caras nos corredores. Uns chegam outros vão. E aqueles de sempre chaleirando. Digo que não nasci para chefe. Se pudesse baixaria um decreto contra babões. Contra falsidade e puxa saquismo. Há menos asco no casal de bichinhos que matei essa semana. Nada de defesa dos animais. Eu morro de medo de bicho, fazer o que? Toda perdida nas palavras.

 

 

 



Escrito por Amanda às 17h57
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Não sei de nada...

Por acaso Elis Regina cantou logo cedo, duas músicas básicas.

 

Elis Regina - "Vou Deitar e Rolar" - Ensaio - MPB Especial

 

 

 

Nada será como antes

 

  



Escrito por Amanda às 09h21
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Quando parar é só escutar um silêncio bem perto e longe do que se pensa. Quando se tem muitos livros chamando. Quando o caminho é outro. Quando tudo é o que pediu. Quanto o quando é dúvida?

“Outros astros lhe são guia”

Uns fazem pose. Pergunto que mundo é mais mundo, o meu ou o deles?

A cabeça dele pensa mais, muito mais, dariam milhões por ela, mas outros preferem a cabeça do peixe.

O menino fala das terras pra lá do Atlântico e a minha fala restringe-se a pra cá do Boqueirão. Então sou mais equilíbrio razão-emoção?

“Noutras palavras sou muito romântico”



Escrito por Amanda às 18h26
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É bom saber que apesar de tão longe, eles lembram de mim. Fico até com medo. Muita coisa boa ao mesmo tempo. Nessas horas sempre penso que vou morrer. É isso aí, como diria uma das minhas sobrinhas postiças estou ficando com cara de tia, finalmente. São os 24.



Escrito por Amanda às 20h03
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O tempo anda curto, me desespero. Isso quer dizer que o ano começou bem, de verdade.

Acordei com o assobio de Caetano na cabeça.

Tempo de estio
Caetano Veloso


Quero comer
Quero mamar
Quero preguiça
Quero querer
Quero sonhar
Felicidade

É o amor
É o calor
A cor da vida
É o verão
Meu coração
É a cidade

Rio, eu quero
suas meninas

O Rio está cheio de Solanges e Leilas
Flávias e Patrícias e Sônias e Malenas
Anas e Marinas e Lúcias e Terezas
Glórias e Denises e luz eterna Vera

Rio, tempo de estio
Eu quero suas meninas



Escrito por Amanda às 08h57
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Dúvida

 

O que seria de mim sem o google e seus livros virtualmente disponíveis?



Escrito por Amanda às 11h45
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 Eu to nem aí, eu to nem aqui...

 Titãs: a melhor banda dos últimos tempos da ultima semana.



Escrito por Amanda às 09h46
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Tempo: só para dar uma espiada em alguns blogues que me chamam a atenção, seja por um lado seja por pura curiosidade. Lembro que não sinto mais tanto tesão em escrever e até mesmo atualizar esse espaço. Realmente. Ando com o lápis afiado apenas para algumas dezenas de trabalhos, o que não é nada mal. O dinheiro está sendo garantido. Não tenho lido textos saborosos. Não tenho visto filmes legais. Só escutado muita música, mas isso nem novidade é. Janeiro está passando tão rápido e quando fevereiro chegar lá estarei um ano mais velha. Isso me preocupa. Porque tantos anos a frente, significam mais acúmulo de lembranças. Seria bom que a memória fosse como o orkut, depois que "lotasse" a gente pudesse criar outro perfil! Ow.

To com vontade de ir ao cinema para ver "O curioso caso de Benjamin Button", por quê? Eu gostei do título.

Isso de título é mesmo muito curioso. Lembro que o primeiro clássico que li, foi por causa do título "O morro dos ventos uivantes", e assim seguiram-se vários.

Estou com vontade que algum livro me fisgue como aquele, e se infiltre no meu tempo bem de jeito.



Escrito por Amanda às 21h10
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Duas versões: Quizás, Quizás, Quizás com Maysa

 

e Perhaps, Perhaps, Perhaps com Cake

 



Escrito por Amanda às 17h17
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Sua hora vai chegar. Frase que se encaixa para os outros. Eu mesma falo inúmeras vezes. Comigo não acontece exatamente dessa maneira. Sua hora, quando? Como uma bomba sempre prestes a explodir. Quando?



Escrito por Amanda às 09h30
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Dois poeminhas de Cacaso para o dia dois.

BOEMIA

Acho que hoje já é

Amanhã

 

INACABADO

adio

vou estudando

adio

vou viajando

 

vidinha adiada a minha 



Escrito por Amanda às 13h27
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 "ANO PASSADO EU MORRI, MAS ESSE ANO EU NÃO MORRO"

 

Acho que esse foi um ano meio Belchior para todos que conheço, e é por isso que ele esteve tão presente nesse blog. Muita coisa interessante aconteceu e outras nem tanto. Estou com os olhos um pouco ardidos da viagem Cajazeiras - João Pessoa. Foi tranqüilo, muitos amigos revistos e lugares. Eu tenho sim saudades de lá, só que não faz parte dos meus planos uma volta. Hoje minha vida tomou outro rumo. Estou bem com possibilidades de melhoras.

Por lá, gente casando, indo embora, novas crianças a caminho. Acho que a vida é isso mesmo, né!?

Eu não faço mais parte daquele contexto. Mas sinto falta das pessoas. Porque é como uma amiga fala, a medida que vamos ficando mais velhos, vão diminuindo as chances de fazer novas e boas amizades.

E meus bons e velhos amigos ainda estão lá. E minha mãe, que faz uma falta... Talvez eu seja como outra amiga diz, sem juízo e sofra de saudade crônica. Mas deixa assim, eu ser.

E desejo que esse novo ano seja cheio de sucesso, paz e amor para todos.

 



Escrito por Amanda às 10h55
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Eu tinha muita coisa pra falar, mas acordei com Belchior na cabeça e nada mais precisa ser dito. Apenas que ele cante.

 

Não Leve Flores

Belchior

 

Não cante vitória muito cedo, não.

Nem leve flores para a cova do inimigo,

que as lágrimas do jovem

são fortes como um segredo:

podem fazer renascer um mal antigo.

 

Tudo poderia ter mudado, sim,

pelo trabalho que fizemos - tu e eu.

Mas o dinheiro é cruel

e um vento forte levou os amigos

para longe das conversas, dos cafés e dos abrigos,

e nossa esperança de jovens não aconteceu, não, não.

 

Palavra e som são meus caminhos pra ser livre,

e eu sigo, sim.

Faço o destino com o suor de minha mão.

Bebi, conversei com os amigos ao redor de minha mesa

e não deixei meu cigarro se apagar pela tristeza.

- Sempre é dia de ironia no meu coração.

 

Tenho falado à minha garota:

- Meu bem, é difícil saber o que acontecerá.

Mas eu agradeço ao tempo.

o inimigo eu já conheço.

Sei seu nome, sei seu rosto, residência e endereço.

A voz resiste. A fala insiste: você me ouvirá.

A voz resiste. A fala insiste: quem viver verá.



Escrito por Amanda às 09h51
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NÃO VOU COM A CARA DELE, MAS EIS UM PONTO QUE CONCORDO...

Diogo Mainardi

E Machado virou circo...

 

"A série Capitu tem um aspecto circense. É Machado de Assis encenado por Orlando Orfei. É Bentinho imitando Arrelia no picadeiro de Fausto Silva: 'Como vai, como vai, vai, vai? Eu vou bem, muito bem, bem, bem'"

Machado de Assis é Bentinho. Nós somos Capitu. A analogia é simples: nós abastardamos a obra de Machado de Assis. No centenário da morte do escritor, Dom Casmurro e seus outros romances perderam qualquer sinal de paternidade machadiana. Eles parecem gerados por Escobar, o amante de Capitu.

Luiz Fernando Carvalho, diretor da série televisiva Capitu, é o mais perfeito Escobar que surgiu até agora. Seu "Dom Casmurro" tem o nariz de Luiz Fernando Carvalho, tem o sorriso de Luiz Fernando Carvalho, tem a mentalidade de Luiz Fernando Carvalho. Nada nele recorda o "Dom Casmurro" de Machado de Assis, apesar de reproduzir diálogos do romance. Na série, Bentinho aparece estranhamente caracterizado como Dick Vigarista, do desenho animado Corrida Maluca: nas roupas, no bigode, na magreza, no temperamento e, acima de tudo, na canastrice do ator que desempenha seu papel. Qual é o melhor candidato a Muttley? O agregado José Dias.

A série Capitu tem um aspecto circense. É Machado de Assis encenado por Orlando Orfei. É Bentinho imitando Arrelia no picadeiro de Fausto Silva: "Como vai, como vai, vai, vai? Eu vou bem, muito bem, bem, bem". Luiz Fernando Carvalho usa uma linguagem grotesca, afetada, espalhafatosa, cheia de contorcionismos e de malabarismos. Machado de Assis é o oposto. No livro Dom Casmurro, o relato de Bentinho é espantosamente seco e desencantado. Ele narra sua história apenas para combater o tédio: sem drama, sem sentimentalismo, sem teatralidade. Quando Bentinho descobre que o filho bastardo de Capitu com Escobar morreu de febre tifóide, ele comenta simplesmente: "Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro".

Luiz Fernando Carvalho só foi autenticamente machadiano na metalinguagem. A atriz que interpreta Capitu está grávida de se-te meses. Quando um repórter lhe perguntou se o pai do menino era Luiz Fernando Carvalho - o Escobar de Jacarepaguá -, ela se recusou a responder, limitando-se a declarar, como uma Capitu do funcionalismo público: "Não vou dizer a identidade e o CPF dele".

A literatura brasileira tem um escritor. Um só. O que fizemos com ele, nos últimos cinqüenta anos, foi traí-lo com todos os Escobar que apareceram. Desde que Helen Caldwell, em 1960, negou o adultério de Capitu, moldando Dom Casmurro às suas teorias feministas, Machado de Assis foi raptado pela crítica esquerdista. Em particular, por John Gledson e Roberto Schwarz, que o transformaram ridiculamente num agente da luta de classes, empenhado em denunciar os abusos da classe dominante. Na realidade, Machado de Assis é mais complicado do que isso. Ele é um satirista conformista e resignado, que zomba da mesquinhez de nossa sociedade e acredita que, quando ela muda, muda sempre para pior. A série Capitu festeja o abastardamento da obra machadiana. Machado de Assis sabe bem: de agora em diante, isso só pode piorar.



Escrito por Amanda às 08h57
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 GALOPE

 

Há mesmo uma menina galopando rua abaixo. O cavalo quer ir pelas ladeiras mais íngremes e ela puxa as rédeas, faz calo nas mãos. Nos braços e nas pernas grandes feridas amareladas. Traços típicos de uma personalidade fraca, trágica. Do lado um rapaz lixa a parede, quer limpeza, quer tinta nova. E a moça do cavalo só conhece das tintas que desbotam e que se apagam. Seu medo reflete o animal que empaca. Com as esporas ela bate mais forte e mais forte. Nada. Dar meia volta é a única solução. Ou comer um pão de centeio.

Nesse retrocesso observa vários mísseis cor preta metálica sobrevoando o céu. De um deles é expelido um túnel cor de rosa. Pelo túnel desce um homem seminu a caminho do campo, trazendo nas mãos uma enxada. A moça imediatamente pensa - acabara de nascer. E nem o cavalo e nem ela terá que andar tantas léguas como aquele homem.

 

A VIDA É UMA PESSOA SEM MEDO NO CAMINHO

 



Escrito por Amanda às 11h33
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Esta semana lendo o blog de Ademir Assunção, ele fala de Geraldo Carneiro, autor de uma música que gosto muito. Fazia tempo que não escutava "Lady Jane", cantada na voz super de Olívia Byington.

Lady Jane

Nando Carneiro / Geraldo Carneiro

Olivia Byington - Corra o Risco (1978)

 

Lady Jane

respira o cheiro dos esgotos no chão

sob essas catedrais de Babel

Lady Jane

eu sinto o gosto dos esgotos no chão

sob essas catedrais

sob essa escuridão

os edifícios têm de cair

 

ah Lady Jane

toda essa terra vai se consumir

com seus mistérios

e uma fogueira vai queimar

 

Lady Jane ah Lady Jane

eu tive um sonho estranho

de morte.

 

Essa deve ter inspirado alguns textos meus, do meu livro parado. Aliás, fazendo balanço de 2008, esse foi um ano de plena transição. Muita coisa na cabeça ao mesmo tempo. Talvez em 2009 essa bagunça se organize.

E aqui na PB o caos, enquanto que na Grécia vão as ruas porque um estudante foi morto pela polícia. Aqui só protestos do tipo Beijaço Gay.

Só gente que acha que sabe tudo, que te olha do jeito "você não é ninguém".

Que não sabe que boa parte das pessoas já percebeu que tipo de caráter possui. Não suporto desvio de caráter.

Não suporto arrogância e presunção.

Estou quase não suportando esse editor de blog, que modifica minha formatação.

Bem ou mal prefiro receber mensagens "tia pq a senhora não veio na terça".

2009 será para grandes limpezas, deixar só o que realmente faz bem. Sem apelos, sem mendicância. Cada qual que cuide do seu qual.

 



Escrito por Amanda às 08h29
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Esse blog tá uma droga, principalmente no quesito publicação. Não consigo mais colocar a letra que gosto, do jeito que gosto. To pensando seriamente em mudar.



Escrito por Amanda às 08h32
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Quando fazia coral lá em Cajaz e nesses encontros da vida eu ficava arrasada de entrar depois que o coral da UFPB se apresentava. Erivan bem educadamente me chamava de menina besta. E olha que bom, em breve (só em fevereiro, Oxalá) irei fazer parte do dito coral. Fiquei tão contente. Sinto falta de cantar, de ter um grupo. Depois que o CUCA acabou abriu-se um vazio desse tamanho. Esperar ansiosamente. E olha como a gente era moderno:

 

No final do ano não pode faltar "amigo secreto". E amanhã teremos um bem poético aqui em casa. Contente de novo. Fora as confraternizações, boca livre e muitas risadas.

Eu gosto do Natal. Não sei como, mas de repente tudo passa a parecer mais simples e ingênuo. E é bom isso. 



Escrito por Amanda às 20h30
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Adoro

 

David Bowie- Starman

 

 



Escrito por Amanda às 08h08
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Gosto dessas formações novas, som quase novos. Quase porque na maioria é uma reunião de muita coisa passada. Alguns parecem bem bobinhos e tem mesmo quem ache. Só que de tão leve me deixa na janela com vontade de sei lá o que. Acabei de baixar o cd do “Little Joy”, que tem como integrante o meu hermano preferido “Rodrigo Amarante”.

To com os dois volumes dos Irmãos Karamazov bem à frente me chamando para ler. E tantas outras leituras pela metade.

Na TV esperando ansiosa e curiosa pela minissérie Capitu.

E na escola lembrando da aula que levei “Las tres carabelas”, e uma das alunas perguntou “tem uma musiquinha mais nova não?”.

Em casa pensando numa reunião com os amigos com direito até a amigo secreto.

E o ano já já acaba. Então a gente fica assim, fazendo balanço de tudo.

 

 



Escrito por Amanda às 08h44
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NA RADIOLA

 

 

 

Ontem, Linaldo trouxe com uma coletânea de CDs do Geraldo Vandré. Arranjos belíssimos que não conhecia. Fico mesmo bem abobada quando escuto certas harmonias. As primeiras que me deixaram de queixo caído foram “Galope Rasante” com Amelinha, “Bandolins” do Oswaldo Montenegro e o disco “Traduzir-se” de Fagner, todos direto da radiola lá no sítio. Aquele som bem grave e pesadão. Eu numa cadeira de balanço Pai ao lado no seu silêncio curioso.



Escrito por Amanda às 10h53
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EXPERIMENTAÇÕES

 

Hoje tive um desejo. O homem de um olho azul e outro marrom desejou comer peixe. Só a cabeça do peixe. Um tanto estranho. Nem sabia que vendiam cabeças separadas. Enquanto isso são seis horas. Olho pela janela exatamente quando ela, vestido e mangas compridas, varre a calçada. Do outro lado uma fila de mortos, mas esses de corpo inteiro. Entre nós é assim, não tem essa de morrer partido, ou morre ou morre: todo. Através do tórax o túnel cheio de lembranças. Uma vez percorrido não há retorno.

 

 

DOIS ANOS

 

Ele se foi e agora só fotos, sonhos e saudades. Meu paivô.

 

 

VIVERLITERATURA

 

Nem só de literatura vive um homem. Mas sem ela é impossível viver. O que fica são os bons amigos, mesmo com suas complicações. Eu, entretanto só tenho problemas por causa de grana, porque o resto, ah é o resto!

Aqui tem pessoas que admiro pela iniciativa e coragem, pessoas que conheci recentemente e que nem conversei tanto assim, nem sei tanto assim. Só gostei. E para relembrar minha covardia, detesto gritos e discussões.

E amanhã FLIPORTO (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas | Ano IV) lá vamos nós.



Escrito por Amanda às 10h33
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Relendo...

 

 

“Nesta hora em que se começam a ouvir os pequenos murmúrios, em que os grandes ruídos se vão afastando, como que se apagam as conversas excessivamente altas no quarto de um moribundo; e então o rumor da fonte, os passos de um homem que afasta, o gorjeio dos pássaros que não conseguem acomodar-se em seus ninhos, o distante grito de uma criança, começam a salientar-se com estranha gravidade. Um misterioso acontecimento se produz nesses momentos: anoitece. E tudo é diferente: as árvores, os bancos, os aposentados que acendem um fogo com folhas secas, a sirene de um barco na Doca Sur, o distante eco da cidade. Essa hora em que tudo entra em uma existência mais profunda e enigmática. E também mais temível, para os seres solitários que a essa hora permanecem calados e pensativos nos bancos das praças e parques de Buenos Aires.”

Ernesto Sábato em Sobre Heróis e Tumbas

 

 

PS.: Não lembrava mais dessa descrição do fim de tarde. Os pássaros, um banco na praça, uma igreja. Às vezes um pôr-do-sol refletido no olho te faz falta. E se tudo pudesse ser assim num estalar de dedos...



Escrito por Amanda às 09h16
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Então. Você tem os olhos mais vermelhos. Reze para que nunca chegue aos sessenta.



Escrito por Amanda às 18h51
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Entrar no ônibus. Olhar pela janela. Lá está o lugar! Será seu. Sí, sí…



Escrito por Amanda às 20h06
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Para que problemas? Se tenho um livro de Bukowski bem a frente borbulhando, duas empadas e um celular cheio de jogos para bater recordes. E várias vontades.



Escrito por Amanda às 17h39
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Você não devia olhar pela janela. Acordou às 5h, pleno domingo. Tem um trabalho para fazer. Mil desculpas, até uma solidão inventada, pleno domingo. Escuta música, olha de novo pela janela. Só dá vontade de correr para o mar, ficar lá flutuando até que uma onda entupa teu nariz e lembre, trabalho para fazer. Datas prometidas já adiadas. Vontade de caminhar e até tropeçar na calçada. Quem sabe passar a mão sobre o pelo de um gato. Ler aquele livro que ainda não passou das três folhas e é bom, ta gostando. Mas você tem em pleno domingo um trabalho chato para fazer, em pleno domingo, acordar às 5h da manhã. Lembrar que mais tarde vai sentir fome e terá que fazer um almoço improvisado sem gosto, sentar a mesa, uma solidão inventada. Escutar umas músicas estranhas, depressão também inventada. Tudo menos a coragem de trabalho. Dores, náuseas, olhos pesados, dor de barriga, roupa amassada, formigas passeando sobre os braços. Escrita boba. Tudo inventado, menos o trabalho.



Escrito por Amanda às 08h37
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Ela não é mais gata garota apenas continua descendo pelo cano, sem direito a ralo anti-cheiro. Sobe aquele odor de limão que deve sair exatamente da calcinha mal lavada bem fininha. Fazer o que? Pergunta que sua cabeça não para de maquinar. Hum... se gaba da roupa bem perfumada que lhe exigiu um dedo cortado bem aqui óh! E jura nunca mais se vender o que é um grande sacrifício por isso passa horas roendo as unhas. E mesmo sem saber inveja àquelas coroas cocotinhas de franjinhas meio egípcias. Que coisa!



Escrito por Amanda às 17h35
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3 na massa “Tatui”

 



Escrito por Amanda às 17h13
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Hoje bateu uma vontade de ouvir umas músicas bem antigas. Como Cartola “Preste atenção querida/Embora saiba que estás resolvida/Em cada esquina cai um pouco a tua vida/Em pouco tempo não serás mais o que és”. Noel Rosa “Quem acha vive se perdendo/Por isso agora eu vou me defendendo/Da dor tão cruel desta saudade/Que, por infelicidade, meu pobre peito invade”. Ou aquela música trilha de Cinema Aspirinas e Urubus “Serra da Boa Esperança esperança que encerra... Nós os poetas erramos, porque rimamos também/Os nossos olhos nos olhos de alguém que não vem”.



Escrito por Amanda às 17h20
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Um pouco de gatos, de garganta e cegueira, etc.

 

Já falei do meu tio que tem mais de 10 gatos. Não falei que vovó já matou um desses, bem assim: “gato ladrão”. E que mainha vem sendo acusada de um homicídio da gata da vizinha. Ontem quando voltava do trabalho quase presenciei o atropelamento de um gato. Fiquei com pena até porque o danadinho era preto e eu gosto apenas de gatos pretos, preto com branco, ou siamês. Sou uma racista inversa felina.

Tive um gato quando criança. Disseram que ele morreu de velhice, só que eu nunca esqueci a cena do meu tio com a espingarda numa mão e o gato na outra.

Peguei muita poeira nessa breve viagem. Poeira – ar – calor. Meu nariz sangra no sertão, enquanto enxugo umas lágrimas com o lençol dentro da rede.

Relendo umas cartas encontrei um trecho em que um amigo falava sobre “Ensaio sobre a cegueira” e que já naquela época eu andava meio cega. Nas multidões sem olhar para os lados, isso há uns quatro anos, no mesmo contexto e tão diferente.

No mais, fico preocupada com tanta coisa, que nem sei...

Fica o poema:

 

Sem saída (----)

Cid Campos / Augusto de Campos

 

a estrada é muito comprida

o caminho é sem saída

curvas enganam o olhar

não posso ir mais adiante

não posso voltar atrás

levei toda a minha vida

nunca saí do lugar



Escrito por Amanda às 15h51
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DOIS TEMPOS

 

 

I

Escrever sobre pressão é o que tenho feito ultimamente. Minha cabeça ta quase dando um nó. Queria que tudo que saísse dessa cachola fosse literatura, mas a pobre está um pouco desgastada. Tenho que ir do direito ao espanhol aos concursos a casa ao marido a vida. O melhor que fiz foi ter terminado um texto sobre sexualidade. Eu consegui.

 

II

Viajo para Cajazeiras na próxima quinta. Sempre que estou no ônibus e fico observando as pessoas ao longo do caminho lembro da música de Chico e Vinicius “Gente humilde”, aquelas cadeiras nas calçadas, aquelas pessoas como se fossem donas do tempo. “É gente humilde que vontade de chorar”.

Não distante essa minha vontade de chorar. Sempre que vou fico cheia de lembranças, por exemplo, que está quase completando dois anos que ele se foi. Que sentar numa cadeira de balanço é coisa cada vez mais rara. E as pessoas essas não mudam. Que vão sempre me questionar e me olhar de lado. Que eu vou me sentir invadida. Só volto por três ou quatro motivos, depois que eles passarem não sei se terei coragem, sei lá. Ao menos tem o pôr-do-sol e a sensação de infinito que ele sempre transmite. A devida sensação que fiz a escolha certa.



Escrito por Amanda às 08h44
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Coluna de Amador Ribeiro Neto no Jornal A União

23 de setembro de 2008

 

Sobre arte (1)

 

Há um provérbio árabe apregoa a amputação de uma mão de quem empresta um livro. E a amputação das duas mãos daquele que o devolve. Sarcasmos à parte, o fato é que uma aluna esteve em meu apartamento para tomar emprestado um livro e resolveu perguntar-me se eu lia todo livro até o final, mesmo não gostando da leitura.

 

Interessante: quantos se espantam quando alguém abandona um filme antes do fim? Por que pessoas e mais pessoas vangloriam-se de assistir a todos e quaisquer filmes, de qualidade A até Z, sem nenhum constrangimento, mas ficam cheias de dedos quando dizem que leram um livro do Paulo Coelho, do Jô Soares, do Klaled Hosseini? Está na hora de desmistificar este auê face à palavra, à literatura.

 

A velha resposta de que cinema é diversão e literatura é papo-cabeça não tá com nada. Ou então que se assiste a um filme em duas horas e um livro lê-se em cinco dias, também não justifica nada. O fato é que a cultura livresca (ainda) anda envolvida numa aura tola, boçal e babaca que a torna cada dia mais distante do leitor.

 

Em uma conversa entre professores universitários, espantei-me com colegas opondo o livro à Internet. Inicialmente quis mostrar o descabido do embate, mas silenciei ante a brutalidade de tal raciocínio. Lembrei-me de outro provérbio, este me passado por um grande amigo filósofo e judeu: se alguém lhe dá uma tapa você revida, mas se um cavalo lhe dá um coice, você ignora.

 

Literatura é arte e cinema é diversão. Literatura é alta cultura e cinema é cultura de entretenimento. Livro é depositário do saber e Internet é saber da superficialidade. Palavra é domínio de conhecimento e imagem é engabelação fácil do pensamento. Estas e outras besteiras sem fim, encaro-as como coice de cavalos.

 

É claro que posso abandonar o cinema, a sessão de teatro, a conferência, as páginas de um livro à hora que quiser, sem o menor grilo. Por que tenho de submeter-me à ditadura aristotélica da lógica do começo, meio e fim? O filme está chato? Pé na rua. O livro está uma porcaria? Abandone. A dança está carregada? Bye, bye teatro.

 

Arte é mercadoria. Não tem qualidade, devolvo. Na maior, sem falsos pudores. Vivemos pisando demais em ovos. Pra dizer que vimos um quadro do programa da Ana Maria Braga, elencamos zil desculpas: do jogo do Fla-Flu a um filme do Fellini. Pra comentar uma matéria da Caras alegamos o tempo de espera no consultório médico. Por aí afora.



Escrito por Amanda às 20h00
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Conheci UAKTI há mais ou menos 4 anos no DVD Brasileirinho de Bethânia. No ato fiquei encantada, até porque na época eu era mais zen e curtia muita música instrumental, isso quer dizer dormir e acordar ouvindo. Então corri atrás, sai comprando e baixando tudo o que podia sobre o grupo. Emoção maior foi ter ido ao show e pegar o autógrafo dos quatro. Essa semana lembrei deles em duas ocasiões: uma vendo o filme “Ensaio sobre a cegueira” no qual a trilha é do UAKTI e a outra no blog da Joana Belarmino que por coincidência ou não, não pode ver, mas pode sentir através do som e da imaginação, que ultrapassa qualquer sentido. “O essencial é invisível aos olhos”.



Escrito por Amanda às 09h11
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Tem semanas que apesar de um bocado de coisa não se evita a falta de inspiração. Vi “Ensaio sobre a cegueira” e a palavra que define é estranheza, coisa de quem tem muita imaginação e um pouco de genialidade, falo aqui tanto do enredo como do diretor. Fui ao “Tome Poesia e Tome Prosa” e continuo apoiando qualquer iniciativa que tenha a Literatura como foco principal, e esperando que o projeto só melhore, mais e mais. Por fim, ontem depois de 16 anos da estréia e de ter muito escutado falar, finalmente assisti “Vau da Sarapalha”. Os atores por si já valem a peça, mesmo que ficassem calados só com o rosnar do cachorro e o cacoete da preta Ceição. Fiquei imaginando o quanto demoraram a chegar tal perfeição e hoje, como devem pensar que o peso já é outro... nem precisam mais de tanta maquiagem para fazer os dois primos velhos.



Escrito por Amanda às 21h23
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2.500 pelados de 33 países "invadem" povoado da Paraíba para congresso

FÁBIO GUIBU

da Agência Folha, em Conde (PB)

 

Cerca de 2.500 homens e mulheres adeptos do naturismo vindos de 33 países "invadiram" ontem o povoado de Jacumã (30 km de João Pessoa). Eles são participantes do 31º Congresso Internacional de Naturismo, que começou ontem e acaba sábado, na praia de Tambaba, município de Conde, localizada a 10 km da vila. No local, discutem estratégias de expansão do naturismo e eleições da federação internacional da prática.

Acostumados à discrição dos praticantes habituais, que se confinam em uma faixa de areia longe dos curiosos, os moradores de Jacumã se assustaram com os novos visitantes, que também gostam de ficar nus nas pousadas da área urbana.

"Para mim, ficar pelado no hotel já é uma pouca-vergonha", disse o pedreiro João dos Santos, 26. Os moradores também estão receosos com a "festa de Adão e Eva", que será realizada na sexta num restaurante. "Como será que vão chegar à cidade?", pergunta a comerciante Joelma Cavalcanti.

Na tentativa de contornar a situação, pousadas vedaram suas grades e partes abertas com plástico.

O presidente da Associação Naturista de Tambaba, Paulo Campos, reconheceu que a presença dos naturistas assustou, mas disse que "a situação é temporária" e que a "normalidade" voltará. A entrada no congresso é restrita a convidados e adeptos do naturismo. Na pista de acesso a Tambaba, há três barreiras, vigiadas por policiais militares e seguranças. Cem PMs tentam prevenir crimes e afastar curiosos. Grupos de vigilância florestal patrulham as matas próximas para evitar a entrada de invasores. Na última barreira, uma guia usando só chinelos e boné identifica as pessoas e convida quem ainda não está nu a tirar a roupa ali -a reportagem foi autorizada a permanecer vestida.

O movimento é intenso no local. Ninguém desvia o olhar para ver quem passou. Fotos ou filmagens só se autorizadas e gracejos são tratados como insulto coletivo.

 

 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u443307.shtml



Escrito por Amanda às 14h12
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As pessoas viajam. Sempre foi assim. Entrei em depressão aos quinze anos ao descobrir que duas primas estavam na Europa. Na mesma época um outro primo escrevia sobre sua viagem de Londres a Kathmandu, e eu nunca tinha aprendido inglês. Tenho esse desejo louco por línguas, para poder chegar mais perto dos lugares que não posso ir. Só que me falta disciplina e dinheiro. Por enquanto é contentar-se lendo poemas de Neruda nas aulas de Espanhol.



Escrito por Amanda às 08h30
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Isso se chama burrice ou coisa muito parecida. Entro em umas e outras que às vezes o restinho de paciência se vai. É, eu não sei perder em jogos, quando acontece sou a primeira a tirar o corpo fora. Mas não é de jogos que quero falar, na verdade esse vazio de letras demonstrando que estou chateada ou com raiva do mundo. Não estou. Acho que acreditei demais quando aquele mapa astral disse que eu era autodidata. Não adianta querer comer o peixe sem antes tratá-lo. Preciso de tempo e mais dedicação. Triste saber que mais vale a quantidade que a qualidade, e eu me fodo, tenho me fodido. Iluminação, idéias, please!



Escrito por Amanda às 18h57
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Tomar banho porque uma coisa muito legal pode acontecer depois de hoje.



Escrito por Amanda às 07h10
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“E tenho algo a acrescentar. Aliás, algo a repetir: num mundo bundão, onde escritores fazem projetos e discutem planilhas, e jornalistas coxinhas cagam regras e os julgam como iguais (porque são mesmo), onde todos morrem de medo do famigerado "departamento jurídico", e a revista Rolling Stone paga pau pra Ivete Sangalo, nesse mundo bundão, onde campeia o politicamente correto, e os heróis que morreram de overdose são reduzidos a estereótipos de filminhos de entretenimento, onde as oposições e as periferias são cooptadas pela teia, e são tão world e bundonas quanto, bem, nem nesse mundo bundão, onde os poetinhas da Vila Madalena e os universitários marxistas da Lapa (dá na mesma) sugam a virilidade dos sambistas da antiga, nada mais previsível do que o sucesso estrondoso do filme de Marisa Monte. Enquanto isso, o Brasil apodrece em volta, sem viço nem originalidade; no nepotismo derramado e sincero dos papais da grande imprensa: de chapéu panamá, paletó de linho, gravata vermelha e sapato bicolor. Eis o legado de Marisa Monte e de sua turminha; o malandro berimbau (desculpem a grosseria): aquele que dá o cu para não gastar o pau. Em suma, existe um descompasso nesse samba. Uma havaiana não pode custar 120 reais.”

 

 

Final do texto de Mirisola no Congresso em Foco. O início AQUI



Escrito por Amanda às 22h39
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Um cara diz que Recife fede. Nem precisa falar, isso passa despercebido. Sempre chorei ali. Boa parte porque nunca queria voltar para casa. Não conhecia o centro. Já viu coisa mais esquisita que centro de cidade no domingo? Ninguém nas calçadas. Deu pra observar as fachadas dos prédios, um ritual indígena no alto de uma delas e muitos pássaros sobre as cabeças. O espaço é bom. A feira de livros não me interessou tanto, talvez por falta de paciência. Ando meio enjoada ultimamente. Performances e coisas afins não mexem mais comigo, nada de novo, tudo sempre igual. O que fica é a vontade de caminhar e saber que o mundo às vezes é bem infinito. Sei que Recife tem sempre algo a me dizer. Coisa de outras vidas ou vidas paralelas.



Escrito por Amanda às 18h15
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DUAS MÚSICAS

 

Lindonéia

Caetano Veloso/Gilberto Gil

 

Na frente do espelho

Sem que ninguém a visse

Miss

Linda, feia

Lindonéia desaparecida

 

Despedaçados

Atropelados

Cachorros mortos nas ruas

Policiais vigiando

O sol batendo nas frutas

Sangrando

Oh, meu amor

A solidão vai me matar de dor

 

Lindonéia, cor parda

Fruta na feira

Lindonéia solteira

Lindonéia, domingo

Segunda-feira

 

Lindonéia desaparecida

Na igreja, no andor

Lindonéia desaparecida

Na preguiça, no progresso

Lindonéia desaparecida

Nas paradas de sucesso

Ah, meu amor

A solidão vai me matar de dor

 

No avesso do espelho

Mas desaparecida

Ela aparece na fotografia

Do outro lado da vida

Despedaçados, atropelados

Cachorros mortos nas ruas

Policiais vigiando

O sol batendo nas frutas

Sangrando

 

Oh, meu amor

A solidão vai me matar de dor

Vai me matar

Vai me matar de dor

 

“o bolero de Nara é melhor, mas vale Fernanda Takai, com certeza. As duas são lindas”



Escrito por Amanda às 21h25
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ONDE ANDARÁS

Ferreira Gullar / Caetano Veloso

 

Onde andarás nessa tarde vazia

Tão clara e sem fim

Enquanto o mar

Bate azul em Ipanema

Em que bar, em que cinema

Te esqueces de mim?

Enquanto o mar

Bate azul em Ipanema

Em que bar, em que cinema

Te esqueces

Eu sei meu endereço

Apagaste do teu coração

A cigarra do apartamento

O chão de cimento

Existem em vão

Não serve pra nada

A escada, o elevador

Já não serve pra nada

Janela, cortina amarela

Perdi meu amor

E é por isso que eu saio

Pra rua, sem saber pra quê

Na esperança talvez de que o acaso

por mero descaso, me leve a você..

 

na ordem:Caetano, Adriana, Marisa e finalmente a versão depression de Bethania



Escrito por Amanda às 21h24
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SOBRE COMPUTADORES

 

Em casa, nesta minha nova. Tenho uma janela à esquerda cheia de fios entre nuvens. Talvez as mãos estejam enferrujadas, afinal saíram de um jejum de oito meses? Músicas espaciais e Dona Maria lá em baixo sabendo mais da minha rotina que qualquer um. É uma graça. O bom que agora vou poder escrever tudo no ato, sem precisar queimar os neurônios nos cyber’s da vida. Escutar infinitas músicas no modo aleatório em todos os sentidos da palavra. Estou contente. Esse bichinho fez uma falta... Parece que a cortina abriu: dependência total.



Escrito por Amanda às 11h22
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ASSONÂNCIAS

 

Pelas ruas miro cabelos assanhados, meninas magras com olheiras fundas. Se bonitas travestem-se de feias, mesmo assim lindas. Rápidos, cigarros nas mãos, olhares perdidos, ou fixos nalgum lugar. Preto e branco. Unhas vermelhas, descascadas. Roupas sem nexo, chapéus com violões nas costas. Rock roll ou blues. Quanto mais menos mistura. Ecos. Gramas sob calcanhares finos, sapatos furados. Apenas os gatos sempre os mesmos e nunca iguais. Busca vazia. Coiote por trás de lentes quietas. Dissimulação.



Escrito por Amanda às 15h51
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PRIMEIRA PARTE

 

 

Os fios em paralelo. Poste. Bebo uma cachaça ao som de rock inglês, mel e limão sem sementes.

Letras esquecidas, vírgulas. Traduções. O dia amanheceu mais azul e alguma coisa me chama. O salário que não veio? A viagem que não fiz? Talvez. As nuvens passam por trás como um barquinho em água calma. Lá está Joyce acenando com riso largo nos lábios.

Mais um gole. Pretendo correr, me pendurar num trapézio de olhos fechados, vestir casaco de pele: neve.

São três da tarde. Soa a campainha. Um bilhete escorrega por debaixo da porta. Recado feito com recortes de jornais:

 

NO saLão de QUATRO entradaS ÁS nove.

AMANHÃ

 

Fecho um dos olhos e olho vesgo através do copo verde. Gomos de limão estouram dentro da boca. Corto uns bifes antes de partir. Às oito e cinqüenta e três: pegar ônibus, caminhar setenta metros. Escolher um dos lados. No céu três urubus voam em círculo. Vai chover.

 



Escrito por Amanda às 08h47
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Papos virtuais:

Canga: pra semana eu to fudido.

Eu: pq?

Canga: tenho que me virar com 50 reais.

Eu: ah... e eu com 5 centavos.

 

Pensando:

Estar em Cajazeiras é ser passarinho bonitinho dentro da gaiola.

O que salva ou estraga é a Literatura. (depende do ponto de vista)

 

como ser um grande escritor - por charles bukowski

 

você tem mais é que comer muitas mulheres

mulheres bonitas

e escrever uns poemas de amor decentes.

 

não se preocupe com a idade

e/ou novos talentos.

 

apenas beba mais cerveja

mais e mais cerveja

 

e vá às corridas ao menos uma vez por

semana

 

e ganhe

se possível.

 

aprender a ganhar é difícil -

qualquer porcão pode ser um bom perdedor.



Escrito por Amanda às 08h56
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e não se esqueça de Brahms

e de Bach e de sua

birita.

 

não faça muito exercício.

 

durma até o meio dia.

 

evite cartões de crédito

ou pagar qualquer coisa no

dia.

 

lembre-se que não existe um cu

nesse mundo que vale mais que $50

(em 1977)

 

e se você tiver a capacidade de amar

primeiro ame a si mesmo

mas sempre tenha em mente a possibilidade de

derrota total

ainda que a razão dessa derrota

pareça certa ou errada -

 

um gostinho de morte cedo não é necessariamente

uma coisa ruim.

 

fique longe de igrejas e bares e museus,

como a aranha seja

paciente -

o tempo é a cruz de todo mundo,

mais

solidão

derrota

traição

 

toda essa sujeira.

 

fique com a cerveja.

 

cerveja é o sangue contínuo.

 

um amor contínuo.

 

pegue uma boa máquina de escrever

e enquanto os passos vêm e vão

além da sua janela

bata nela

bata nela com força

 

como se fosse uma luta de pesos pesados

 

faça como o touro em sua primeira investida



Escrito por Amanda às 08h56
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e lembre-se dos velhões

que lutaram tão bem:

Hemingway, Céline, Dostoiévski, Hamsun.

se você acha que eles não enlouqueceram

em quartos minúsculos

assim como você faz agora

 

sem mulheres

sem comida

sem esperança

 

você então não está no ponto.

 

beba mais cerveja.

há tempo.

e se não houver

está tudo bem

também.

 

(Tradução de Fernando Koproski, para este livro esgotado)

 



Escrito por Amanda às 08h55
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“VEM DORMIR, VEM SONHAR, PRA VIVER”

 

Pior que criança quando está brincando e não quer mais parar. Isso foi semana passada, no show de Beto Guedes. Há quanto tempo não ficava com as mãos geladas e os olhos querendo pular por todos os lugares. Adoro Beto Guedes por suas músicas ingênuas, seu sorriso zen e aquela energia paz e amor refletida na latinha de cerveja que bebia junto ao esquecimento das letras. Pulei umas vinte casas desse jogo. E a Estação bem que podia ser ali na esquina.

 

LUMIAR

Beto Guedes / Ronaldo Bastos

 

Anda, vem jantar,

vem comer, vem beber, farrear

até chegar Lumiar

e depois deitar no sereno

só pra poder dormir e sonhar

pra passar a noite

caçando sapo, contando caso

de como deve ser Lumiar

 

Acordar, Lumiar, sem chorar,

sem falar, sem quer

acordar em lumiar

levantar e fazer café

só pra sair caçar e pescar

e passar o dia

moendo cana, caçando lua

clarear de vez Lumiar

 

Amor, Lumiar,

pra viver, pra gostar,

pra chover, pra tratar de vadiar

descançar os olhas, olhar e ver e respirar

só pra não ver o tempo passar

pra passar o tempo

até chover, até lembrar

de como deve ser Lumiar

 

Anda, vem cantar,

vem dormir, vem sonhar, pra viver

até chegar em Lumiar

 

Estender o sol na varanda até queimar

só pra não ter mais nada a perder

pra perder o medo, mudar de céu, mudar de ar

clarear de vez Lumiar



Escrito por Amanda às 21h04
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“Os novos autores têm apresentado, hoje, coletâneas e romances de estréia muito superiores aos dos estreantes da década passada.

A atmosfera comum a toda essa prosa exclusivamente urbana é a do bizarro. Que, tendo em vista apenas a estrutura formal, aparece das mais diferentes maneiras: ora em linha reta, ora em ziguezague, ora fragmentada, ora pulverizada e misturada, mas sem jamais perder a sua consistência bizarra. Isso logo de saída resolve o cabo-de-guerra entre lírica e sociedade , conforme discutido por Adorno e tantos outros. A propensão para o nefasto, para o sinistro, para o agourento, afasta desses novos autores o dilema sofrido pela maioria dos artistas desde que o mercado editorial se estabeleceu: produzir para as massas ou para elite? Vender trezentos mil exemplares ou só trezentos? Todos eles, consciente ou inconscientemente, escrevem para a pequena elite intelectual da qual eu e você, querido leitor fazemos parte. Porque escrever para o leitor médio, ingênuo e de gosto pouco apurado, está fora de cogitação. Vivemos em um país em que pouco mais de dois terços da população não conseguem ler e entender uma simples notícia de jornal. Literatura, para esse contingente, é algo que não existe. Para boa parte do terço restante, só interessam o misticismo barato e o kitsch. Uma vez que os best-sellers se encharcam do mau gosto dos sentimentos nobres e edificantes, o pendor para o bizarro já pressupõe a presença do leitor sofisticado. “

Nelson de Oliveira in A oficina do escritor – sobre ler, escrever e publicar



Escrito por Amanda às 18h13
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CLICHÊS (para dias de chuva)

 

Sentar no chão da sala.

Tomar cachaça com limão.

Ouvir Engenheiros do Havaí (Alívio imediato)

Pensar na vida, na noite.

Acender cigarro.

Querer rever amigos.

Bater perna até que o dia apareça.

Ir ao banheiro.

Vomitar

Ver a gota que escorre da torneira.

Assistir novela das 8.

Dormir.



Escrito por Amanda às 17h59
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SOYEZ SOLIDAIRES ET NON SOLITAIRES!*

 

 

Mamãe chega hoje. Não sei exatamente quantas mentiras terei que inventar. Estamos em mil novecentos e sessenta e oito, quando ter a geladeira vazia, para um estudante, é charme. Ela vai chegar e pedir que mostre os lençóis e o lugar onde me escondo. Não sei. Uso a mesma boina, o mesmo bigode. Soube que Helena botou para fora seu bêbe, sendo assim, jamais serei padrinho de alguém. Não tenho dinheiro, apenas sonhos estranhos com crianças correndo num abismo de águas, colhendo flores. No cartaz, uma banda de rock convida para seu show. Mamãe deve trazer os discos que pedi, do Brazil. Um peixe fora d’água, não faço barricadas nas avenidas, não atiro paralelepípedos, nada. Preciso de algumas moedas para comprar biscoitos. Só.

 

Sejam solidários, e não solitários!



Escrito por Amanda às 16h36
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I

SOBRE O LIVRO QUE NÃO SAI

 

Estou gostando muito do seu livro. Os seus títulos são ótimos! Eu sempre soube, desde que te falei, na época da Bagatelas, que títulos seriam a cereja do sundae dos seus textos lúdicos e gostosos. Sim eles são exatamente isso, gostosos, bons pra gente ler tomando um vinho. (Camilla Lopes)

 

II

DOS CONTOS POR AÍ

 

Dois textos meus foram selecionados pelo projeto Leitura para Todos.

 

“As viagens dentro dos ônibus urbanos de Belo Horizonte, Minas Gerais, ficaram mais instigantes. O projeto Leitura para Todos, que é o vencedor do Prêmio Vivaleitura 2007 na categoria empresas, ONGs, pessoas físicas e universidades, iniciou em 2004 a difusão de textos da literatura brasileira nos coletivos da cidade. Idealizado por Maria Antonieta Pereira, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, o programa já atingiu cerca de 200 mil pessoas.

O principal objetivo é estimular a leitura pelos usuários das linhas de ônibus da cidade, para atingir especialmente o leitor que está fora do circuito escolar e não tem acesso a bibliotecas.

O Leitura para Todos utiliza a parte posterior das cadeiras onde são afixados envelopes de plástico transparente contendo textos curtos (contos, crônicas, poemas, letras de música e trechos de romances), impressos frente e verso, no tamanho A4. Os textos são escritos em caracteres grandes para serem lidos por um leitor médio, no espaço de 10 a 15 minutos, num ônibus em movimento.

Os envelopes são presos às cadeiras por alças, o que possibilita ao leitor seu manuseio sem retirá-los do veículo. Em cada ônibus, são colocadas 20 lâminas, com dois textos cada.

Pesquisa realizada pelos organizadores em 2005, mostra que 96% do público contemplado como trabalho apóiam o projeto. O aumento do interesse na leitura de textos da Literatura Brasileira após ter contato com as lâminas foi registrado por 71,2%.

O sucesso do trabalho já teve repercussão. As cidades de Contagem, Campo Grande, Diamantina, Recife e São João Del Rei desenvolvem projetos similares ao Leitura para Todos”. Fonte

 

Legal heim!?

 

III

DAS COISAS QUE ARREPIAM

a) Voltar do sítio com o dia amanhecendo e ouvir Luiz Gonzaga cantar a Ave Maria.

b) Comer canjica, pamonha e ver um casal de passarinhos fazer seu ninho.

c) Ver primos e amigos crescidos, casados e cheios de filhos.

d) Ser beijada por vovó e ouvi-la dizer que tava morrendo de saudade.

e) Sentir saudade de pai.

f) Pensar em Linaldo, mas perceber que todos os meios de comunicação estão completamente fora de área.

g) Sentar numa cadeira de balanço, fazer desenhos com as nuvens e ver a chuva cair.

h) Ouvir mainha pedir para voltar pra casa e meu irmão dizer que sou doida.



Escrito por Amanda às 11h06
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TAMBAÚ

 

Se eu fosse aposentado compraria um rayban e me juntaria a leva de cinquentões todos os sábados. As loiras falsas, preguentas de bunda mole se esfregariam em mim. Jogaria sinuca e levantaria minha moral. Será mesmo? Meu pau está mole desde que Martinha me abandonou. Um mendigo faz a barba debaixo do Sol, sem água, sem sabão, de pêlos só o bigode ao som de um pagode made in Rio de Janeiro década de 60. Lá vem a velha pedinte, quase que lhe faço uma proposta indecente – lavar minha roupa acumulada em troca de algumas chupadelas inesquecíveis. Não acredito que seu João está lavando o banheiro com alfazema! Uma gata grávida se enrosca nas minhas pernas. Os drogados esperam salivando o nascimento dos gatinhos, churrasco no fim de tarde é tudo que há.



Escrito por Amanda às 15h27
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Saudades. Já começo a pensar nas aulas de espanhol e a cara dos meninos da terceira série assustados por causa de La Pinta a embarcação de Cristóvão Colombo. Deve ser castigo para mim que não tenho paciência. Um dia desses chamei porra em plena aula, pra que? Tive medo. Ensinar é pior que ser cristo aqui na terra.

Passaria mais um mês vindo pra cá, às nove da manhã, bater sempre o papo agradável com o Marçal, a Valéria Resende (nem sabia que ela era freira). Uma escritora freira sem pudor, preciso ler seus livros, sim. E Ronaldo Monte psicanalista. Tanta gente...

Ganhei ânimo, o que é bom muito bom.

Ontem no show do bossacucanova foi o que imaginei. Tive uma alegria meio vaidosa de confirmar para todo mundo que eu conhecia o grupo. Me desculpem, mas descubro muita coisa pelo simples fato de ser curiosa, sempre.

E amanhã o Fenart acaba. Pena!!



Escrito por Amanda às 12h46
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Diz bacana assim num tom meio submisso que fui recebida pelo dono do boteco. Quase ri. Ah se eu tivesse um computador nas mãos todos esses dias só vivendo de arte. Cheguei à conclusão que eu tenho vergonha pelas pessoas isso é um ato de humildade raro. Pense bem: se minha cara fosse de uma professora velha de português que quer porque quer escrever poesia ou do matuto metido que escreve qualquer baboseira menos poesia me mudaria para o Sudão.

O bom mesmo foi conhecer o Chacal, o Mirisola e o Marçal Aquino, viva a diversidade. Apesar dos chiliques nos pés, da coluna encurvada e das mãos amarelas o pior foi ter perdido meu anel raro de coco num susto vendo a peça Toda nudez será castigada.

Não quero mais sair daqui até meus cento e cinqüenta reais acabar.



Escrito por Amanda às 12h51
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RECADO DA CAMILA

 

Amigos,

 

O blog é o mesmo, mas mudei o endereço, agora é www.cativadodeserto.blogspot.com em uma homenagem clara, ao momento final de Pergunte ao Pó, quando Camila Lopez se perde para sempre no deserto. É mais adulto, não acham? Vão me respeitar mais, eu recebi muita mensagem erótica pelo outro nome - meurego.blogspot.com. Uma vez me ofereceram 500 reais pelo programa, se eu não fosse tão carola, tinha aceitado, dava pra cobrir o cheque especial. he he he

 

Se vocês puderem alterar o link no blog de vocês, agradeço. Gosto deste contato que temos por blog, pererê, pererê.

 

Saudades, amo -os todos,

 

Beijos



Escrito por Amanda às 21h29
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É bom descobrir que existem novidades. Que o mundo não é estanque e você é que está equivocada achando que já tinha visto tudo. Tem gente fazendo futurismo se é assim que se fala. Músicas que nem gosto muito. Fotos que causam curiosidade e levam a outra dimensão. Pior é saber onde eu fico cheia de vontades e alucinações.



Escrito por Amanda às 18h12
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É ISSO QUE SINTO:

 

“Saudade.

De ver depois do viaduto, onde o céu cabe em dois buracos, a torre da Igreja, o hotel globo e os fantasmas tomando chá na Antenor Navarro.

Saudade.

Da lagoa iluminada de pressa. De ônibus e do trabalho de um dia sendo devolvido em meio a gritos, empurrões e pregões de comida.

Saudade.

Das ruas iguais a qualquer rua de qualquer canto, mas ruas que pertencem ao meu endereço.

Saudade.

Do verde cinza azul do mar e céu da orla...”

Astier Basílio

 

Saudade.

Dos espaços pequenos e do grande amor.



Escrito por Amanda às 17h41
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Fico vendo fofocas sobre celebridades na TV. Votando no site do BBB8. E tendo que responder sempre as mesmas perguntas nessa cidade onde todos estão loucos, meu Deus!? Passarinho até quis pousar, mas aqui não deu, não dará e voou.



Escrito por Amanda às 21h08
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VITRINES

 

 

Tenho as dez unhas das mãos de um vermelho desbotado que desgostaria muito Jimmy caso ele estivesse por perto. Eu olho pela janela e a estrada vai apresentando várias paisagens, pessoas interessantes quando vistas de um ônibus e vice-versa. É a curiosidade aumentando o grau de importância que a maioria das vezes nem existe. Aquele homem ali, por exemplo, encostado na parede, usa boné e óculos que lhe dão cara de intelectual. Pega uma chave no bolso e começa a cutucar o ouvido. Depois fica olhando abismado para a cera amarelada. Ainda bem que Jimmy não faz dessas coisas, não na minha frente.

 

Puxo um livro da bolsa a coluna está dolorida. Viro de lado e continuo observando a estrada. Quero logo encontrá-lo e contar tudo o que se passou desde a nossa despedida. Não temos um relacionamento que possamos chamar de normal. Ele não sabe que é gay. Só eu sei. O conheci numa dessas festas que a gente perde os sapatos, a razão e por pouco não perde a vida. Ele estava no meio parecendo um João-bobo. Tive pena. Fui até lá e encostei. Ele me olhou com um ar meio grogue. Pedi um beijo que ele aceitou dando um selinho sem graça.

 

Jimmy é assim: aceita tudo o que peço e mando além de concordar em me dividir com outra pessoa. Explico que é porque preciso de um homem de verdade que me pegue de jeito, mas que só ele me dá tranqüilidade e zela pelas minhas noites de ressaca sem fim. Eu uma mocinha que ao acordar não sei distinguir entre noite ou chuva porque aqui dentro alguma coisa se move, seja para os lados seja dos pés a cabeça. Se os cabelos caem ou os outros ficam brancos o certo é que daqui a três horas o tempo vai acabar.

 

Quase chegando desejo as coisas sem nome, sem cheiro ou sabor. Um rodopio na chuva seca, um pé de escada para o céu ou somente os olhos de Jimmy. Há sempre muitos caminhos abandonados. Vejo assim: você vai caminhando sem olhar para os lados, pega atalhos outras vezes os mais extensos. Não é bom deixar migalhas de pão, porque a certeza é que as coisas realmente não voltam.

 

 

No Portal Literal desse mês, Link ao lado!!



Escrito por Amanda às 10h29
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