Quando eu to para leitura é assim: quero tudo ao mesmo tempo. Comecei “O matador” e hoje já reli um continho de Katherine Mansfield que adoro. Ontem quase compro um livro dela, minha velha compulsão. A CosacNaify estava com 40% de desconto e eu adoro as edições dessa editora, são perfeitas. Meu sonho de consumo é comprar a caixinha com Ana Karenina, que namoro faz tempo. Comprarei. E já que começou a chover de novo, vou transcrever um trechinho de “Felicidade”.
“Embora já tivesse trinta anos, Bertha Young ainda experimentava momentos como esse, quando gostaria de correr em vez de andar, sair dançando pela calçada, brincar, atirar alguma coisa para o ar e tornar a pegá-la ou ficar imóvel e rir – à toa – simplesmente à toa.
O que fazer, com trinta anos, ao virar a esquerda de sua própria rua, você é repentinamente tomada por um sentimento de felicidade – felicidade absoluta! – como se repentinamente tivesse engolido um pedaço brilhante daquele sol do entardecer e ele queimasse em seu peito, enviando uma chuvinha de faíscas para cada partícula, dos pés à cabeça?
Oh, será que não existe uma maneira de expressar isso sem passar por ‘bêbado e descontrolado’? Como é idiota a civilização! De que me serve um corpo se tenho que mantê-lo fechado numa caixa como um violino raro?”
Não sei se já contei. O primeiro livro que li eu tinha 4 anos e se chamava “Maricota sem Dona”. Fazia a alfabetização e a professora pediu pra gente escolher um livro e depois falar do que se tratava. Lembro como se fosse hoje. Era a história de uma boneca que não tinha dona, e estava abandonada num canto de uma loja de brinquedos. Maricota de tão triste decide sair em busca de alguém. Conhece várias crianças: a menina que tinha muitos brinquedos, outra que quebrava tudo... Até que finalmente ela conhece uma menininha pobre que era perfeita para ser sua dona. E assim foram felizes para sempre.
Ainda lembro as ilustrações do livro e do vestido vermelho com avental da boneca. Se um dia eu escrever uma história infantil, tem que ser assim: que esteja na memória mesmo depois de 20 anos.
I - Tá, não sou da sociedade defensora dos animais ou florestas, mas que fico danada quando alguém derruba uma árvore eu fico. Eu querendo uma no meu jardim imaginário e o outro destruindo.
II - Ontem, mesmo com a viagem corrida, visitei uma grande amiga. Tava tão cansada que cheguei cantando “eu quero uma casa no campo...”. Hoje, a primeira notícia é que Zé Rodrix morreu.
III - Fico pensando como minha cabeça estará quando chegar aos 40. Se meu baú velho já anda tão cheio de lembranças.
Uma cadeira de balanço. Minha grande conquista no fim de semana.
Lendo uns blogs percebi que daqueles que eu lia há 3 anos atrás só restaram mensagens do tipo: “um dia voltarei” “chegou a hora de dizer adeus” “quem sabe outra hora”. Para o meu quero um epitáfio melhor. Ou nenhum. Simplesmente irei. Ou não.
Na sexta trabalho de manhã. Acordei com uma sensação meio zumbi. Não posso dormir pouco. Mas, não sei por que hoje tive mais paciência em pegar o circular lotado e ir antes da roleta encostada na porta. Mais paciência de escutar aquele monte de adolescente conversando um monte de futilidade. Mais paciência de observar que se as crianças são o futuro da humanidade, a gente não irá mesmo durar por muito tempo. E até fiquei imaginando como eu consegui sobreviver a essas duas fases. O tanto que me isolei e chorei, o tanto que fui nerd e medrosa. Deu também pra lembrar que os tempos eram outros: papel almaço escrito a mão com uma força danada, álbuns de figurinhas, papéis de carta, joelhos arrebentados, e inocência muita inocência.
Adio. Penso no almoço. Penso no banho. Penso no filme que quero ver. Penso. Penso. E não faço o artigo. O tempo se esgota. E ainda preciso de mais pressão. O que é isso?
Nós dois temos sorte. Estamos juntos. As coisas fluem e vamos sobrevivendo a tudo e a todos. Tem gente que diz que ele é Zé Carioca. Eu acho que somos um casal Zé Carioca. Nos bares contas pagas, caronas, convites, um trabalho ali outro acolá, fazendo com que a vida nos dê um bom sorriso.
Ficou como numa cena de cinema. Escuto a rua. Os carros, buzinas, o vento. Vou ao posto, compro cigarros. Acho que nunca tinha andado só nessa cidade, à noite, não essa hora.
Estou gostando muito do Cineport. Tem gente botando defeito a torta e a direita no festival. Para mim o espaço é bonito, os filmes estão legais na medida. Já marquei o que eu quero ver. Hoje assisti “Os desafinados”, gostoso de ver e ouvir, sonhador como a Bossa Nova. Não dá para não se arrepiar, e rir de vez em quando. Eu cheguei cedo e pensei que seria uma das poucas pessoas por ali. Mas quando deu a hora, se não fico na minha cadeira, não acharia outra pra sentar. Em plena segunda feira, espaço cheio de gente para o cinema. Muito bom.