Acordei e escutei muitas músicas, numa espécie de meditação. Então, deu vontade de ver e ouvir Pink Floyd. Tem um show deles que acho mesmo uma viagem espacial o Live at Pompeii. E não deixa de ser. Escrevi muito no transe daquele som e daquelas imagens com crateras, larvas, e rostos joviais.
Também fiquei contente em como meu novo espaço é gostoso, é limpo, e prático. Posso deitar na cama e pular as músicas no teclado do computador sem levantar. Vejo TV, durmo, lavo roupa, varro sem sair do lugar, apesar dos hematomas. Não importa, é melhor hematoma externo que interno: na alma como eu vinha sentindo nos últimos tempos.
E os caras fazem círculos de fumaça, e de repente precisam da erva para inspirar. Eu como me inspiro com qualquer coisa, deve ser por isso que nenhuma droga me tira de mim.
Sábado passado fomos pro show de Cabruêra e me diverti na minha sobriedade. Então me pergunto: sou sóbria e estou sempre em transe?
Lembrei também de quando eu brincava carnaval, e num desses um cara veio e me perguntou qual droga eu estava usando para estar tão contente, e eu disse: minha droga natural do riso. Muitos não entendem que me eletrizo por si só, não preciso de artifícios.
Pink Floyd, uma nuvem engraçada, um dia de chuva, uma cadeira de balanço, um abraço de quem amo, uma gargalhada com os amigos, um pôr-do-sol, a mata verde, me deixam em êxtase e até mesmo com os olhos vermelhos.
Eu tenho certos prazeres. Marcelo diz que tenho um jeito particular de dizer e sentir as coisas e que é interessante. Por exemplo: depois que arrumei meus livros aquilo me encheu de graça. O colorido do conhecimento.
Estou com sérios problemas de volume: volume de riso, volume de música, volume de sono, volume de planos. Eu estava tão sem esperança de dias melhores que ainda fico sem acreditar, sabe!?
Essa semana dei uma lida no meu livro. E pensei que realmente aquele foi um bom momento de inspiração, nem sei se consigo escrever mais daquele jeito. Quem sabe depois, se um dia publicá-lo.
Disse a um amigo que eu to muito lírica. Nada tem me estressado e eu to tão admirada da vida, que sei lá... acho que estava merecendo mesmo.
É como se estivesse passado por um terreno pantanoso, ou mesmo um atalho cheio de buracos e barrancos e agora voltando ao verdadeiro caminho você lembra que tem princípios e valores. Os olhos brilham e sorriem sozinhos como dois bobos no meio da multidão.
Como sempre, comigo, tudo é muito rápido e o tempo que cronologicamente falando é curto para mim compara-se a cinquenta anos. Então, cheira a lavanda e me equilibra. Sem rituais, sem segredos.
E se alguém disser que to espiritual demais, talvez eu esteja mesmo, e daí!?
Quando só se pensa e ri. Quando até medo você sente, mas é medo bom. E se está tranquilo não importa que a ordem espere. Mas também não é o caos. O que é? Um cabelo caindo sobre os olhos ou um topete, ou simples choque. E uma certeza sabe-se lá de onde vem. É bom e a gente quer eternizar.
*** E hoje ele faria 79. Tenho certeza que andou mexendo os pauzinhos lá em cima.
É uma pena que os casais se separem cada vez mais cedo. Não custa e quando menos esperam, estão desfazendo a mala comum, desarrumando os troços. Hoje, aquele papo de amor eterno parece balela. O sim dado no altar ou na presença do juizado civil, ou a simples decisão de morar junto, transforma-se em não rapidamente, sem que às vezes sequer dê tempo de esquentar o leito. Já vi casamentos que não duraram a noite de núpcias. Depois de passada a euforia dos sentidos, é como se corresse sangue nos olhos dos casais quando descobrem que não foram feito um para outro. Se desesperam, destratam Deus e o mundo pelo equívoco cometido. Eram desiguais, não combinavam, jamais dariam certo. Por que se escolheram, então?
Ora, ela me surpreendeu com a notícia de que havia terminado com o sujeito com quem escolheu morar pela primeira vez. Jovem advogada com menos de trinta que no início da relação se dizia encantada pelo tal como se houvesse encontrado o príncipe encantado da sua vida. E na verdade era isso. O encantamento dos olhos cega o coração, os ouvidos são tocados com a impressão das palavras mais belas e envolventes, viram um só os dois pela descoberta de que foram feitos um para ooutro. Por isso o caráter decepcionante da alma quando vem à tona a verdade. Não éramos companheiros eternos, ela disse.
Sei que não adiantaria falar muito a respeito. Me fiz de compreensivo sem alarmar a infeliz por essa desgraça. Os dois, meus amigos, a quem tantas vezes creditei o mais sincero desejo de que se cuidasse um ao outro, desfizeram a união que por pouco não viraria padrão em nosso meio, tão encantados, tão contentes nos últimos dois ou três anos. Era um desses casos em que nem o mais duro dos corações não acreditaria desse certo. Nem que depois viesse o fim. Nem que acabasse no outro dia. Para esses só uma vida era pouca. Assim era.
Mas chega o dia. Lá nas altas do tempo, um descobre que não dá mais. O outro também. E passam um mês, dois, preparando a despedida. Descobrem, por fim, que não estão mais presos um ao outro, e que, fatalmente, o casamento também havia virado prisão para eles. Não dá mais. É dar um basta e seguir adiante. Que a mãe não entenda, que fique infeliz, que os amigos comentem que já sabiam que estava acabando, e que ninguém mais creia no amor. É frágil a linha mágica que nos unia, agora já era.
E elegantemente saem pela mesma porta. Ele lhe diz: vá em frente. Ela, por seu lado, confirma: não estou infeliz. Outros dias virão e mais à frente verei a luz de um olhar diferente da que puder ver nos seus olhos. E novamente me apaixonarei. Quem sabe não será dessa vez?
É, quem sabe. O amor é feito de apostas. Quando dá, se é feliz. Quando não, tenta-se de novo. Só não se pode prender a si e ao outro em nome da mentira. Melhor assim, ainda que a separação seja triste, atormente. Veja as coisas pelo lado bom. Como disse o Nelson Rodrigues, o amor, se acaba, não era amor.
Espero a máquina. Espero a roupa. Agora pouco falava com minha amiga Nivitas e lembrei que meu blog já está na casa dos cinco anos. Quando chego aqui vejo que é exatamente amanhã dia 03 de setembro. Olha só!! Antes eu escrevia no Aprendiz (link ao lado), quando vim pra cá, acho que realmente dei umas mudadas.
O que quero dizer é que: tem noção, são cinco anos!? Meia década.
Cada um dos posts guarda muito de mim. Tem trechos de livros, vídeos e músicas de que gosto. Tem muitas lembranças. Alguns contos do meu livro, ainda inédito. Na verdade, sempre estive tentando eternizar os momentos da minha vida. Guardo meus brinquedos na casa lá do sítio. Meus diários na casa de Cajazeiras. E depois, aqui na internet esses últimos cinco anos. É tanta casa, e como diria Gigio: qual é tua casa mesmo? Sabe, minha casa é qualquer lugar onde eu possa guardar essa esperança da cor de Verdura.
E pra quem não sabe, segue a música que deu nome ao blog:
Verdura
(Cantada por Caetano Veloso e composta por Paulo Leminski)
Caetano disse “Coragem grande é poder dizer sim”. E eu penso exatamente o contrário. Já disse tanto ‘sim”, que acho mesmo coragem grande é dizer “não”. E eu disse.
“Penso em ficar quieto um pouquinho
Lá no meio do som
Peço salamaleikum, carinho, bênção, axé, shalom
Passo devagarinho o caminho
Que vai de tom a tom
Posso ficar pensando no que é bom
[...]
Nu com a minha música, afora isso somente amor
Vislumbro certas coisas de onde estou
Nu com meu violão, madrugada
Nesse quarto de hotel
Logo mais sai o ônibus pela estrada, embaixo do céu
E a gente vai redescobrindo algo que achava estar perdido. Mas a essência nunca muda. Por mais que eu me perca mais me encontro dia após dia. Estou na fase cantores de rádio e poesia. Até rimando.
Dever de Sonhar
(F. Pessoa)
Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho