Aqui no meu loft eu penso no tanto que ainda quero fazer. Nas possibilidades que uma boa companhia pode proporcionar. É, tem vez que nem acredito. Nem consigo também virar o disco do assunto.
Meu caminho sempre deu no mar. E o motivo agora eu sei qual. Construir uma vida, sem pressa, “muita calma para pensar e ter tempo pra sonhar”. “E eu que era triste descrente desse mundo ao encontrar você conheci o que é felicidade, meu amor”.
Vou caminhando e mamãe vê aquela mocinha bonita no calçadão, branquinha dos olhos azuis: você deveria namorar alguém assim. Então eu lembro que ela, Ana Maria, na noite passada tomou vinte copos de cerveja e fez ménage à trois. Alguém que acorda cedo, por quê? Me viro e penso que nem sempre a noite todos os gatos são pardos. De manhã com esse Sol cegando e mamãe vendo só roupas e óculos escuros, eu quero correr para o mar e ficar nu. Olha a pele, parece moça bem educada. Sábado passado ela colocou a mão na carteira do pai e financiou a erva para o namorado e os amigos. Eu boiando em alto-mar e um arco-íris fazendo sombra colorida sobre o peito.
"Controlando a minha maluquez, misturada com minha lucidez..."
Quando eu visto minha blusa estampada esvoaçante e saio rápido me lembro de Hélio Oiticica e dos parangoles queimados. Lembro que a cinza de uma história é melhor que aqueles que nunca fizeram história. Lembro de um namorado que não gostava dos meus cabelos vermelhos e das minhas calças folgadas: que depois que terminei folguei ainda mais as calças e afogueei mais ainda os cabelos. Lembro que sou chata e metida quando se metem a entrar no espaço das minhas escolhas. Que eu preciso cuidar da vida, porque algum dia estarei muito só: eu e as escolhas. Uma sina. Será?
Bóris costuma dizer que eu não tenho muito juízo. Que daqui a pouco me caso de novo. E sendo sincera, vontade não falta. Eu sempre penso que a vida é muito curta e que se uma coisa boa te aparece porque não vivê-la?
Eu gosto dessa história de família, de casamento, casa, filhos... E sinto falta. Não consigo enxergar minha existência de outra maneira. Isso eu sei.
O primeiro dia que vi amanhecer literalmente aqui. Minha vida de gato: de gatos, melhor dizendo.
Eu gosto tanto de algumas pessoas e queria tanto que elas conseguissem de desvencilhar de certas coisas, que sei lá...
Mas também, vou ver esse clipe da Norah Jones as seis e cinquenta e dois da manhã de domingo e mapear todos os lugares por onde espalhei palavras. Forever.
O dia é bonito, apesar de o Sol me queimar tanto.
Nem era disso que eu ia falar só que eu gosto de enroscar meus dedos nesse teclado. Ia comentar sobre o show de ontem no Festival Mundo.
Burro Morto é a banda mais viva que vi nesses últimos tempos. Eles são modernos, psicodélicos: conseguem que eu feche meus olhos e entre em sintonia. Tem futuro e estão acima do nível das outras bandas que se apresentaram anteriormente.
No mais, o festival é uma boa idéia. Comentava que a PB precisa de mais eventos como esse. Gosto de misturas e da diversidade. A vida só é boa se diversa. A vida só é boa porque existe a música, porque existe você ao meu lado.